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Schiaparelli, a marca favorita dos AOTYs

  • Foto do escritor: Revista Epifania
    Revista Epifania
  • 17 de mar.
  • 4 min de leitura

Atualizado: 18 de mar.

Bad Bunny, Beyoncé e Taylor Swift compartilham algo além do sucesso na carreira e nas premiações: o gosto por uma certa grife que parece ter se tornado símbolo de sorte nos últimos anos. Essa coincidência fashion despertou nosso interesse e nos levou a descobrir o que está por trás da “mágica” da Schiaparelli . 


DO INÍCIO ATÉ O (QUASE) FIM


A maison Schiaparelli foi fundada pela estilista italiana Elsa Schiaparelli, e nasceu a partir da visão da artista sobre a junção da arte e da moda, sobre inovação e criatividade — pilares fundamentais para suas criações. 


Schia, como ficou conhecida, nasceu em família aristocrata e cresceu sem qualquer familiaridade com o mundo da moda. Foi apenas após uma série de mudanças em sua vida pessoal, que a levaram a se estabelecer em Paris — uma das principais capitais da moda até hoje — que passou a ter contato com artistas de renome na Europa, como o estilista Paul Poiret, Marcel Duchamp, principal nome do movimento dadaísta, e Salvador Dali, surrealista que se tornaria o seu grande parceiro criativo, formando um ciclo social que influenciaria profundamente suas futuras criações.


Elsa Schiaparelli posando e ao lado de Salvador Dalí (Via: Reprodução/Internet)


Graças ao imaginário revolucionário que Elsa trouxe para seu trabalho, ela foi responsável por algumas das peças e momentos mais icônicos da história da moda. Schia foi a primeira a ressignificar o uso do Zíper, que deixou de ser apenas utilitário e se transformou em elemento decorativo nas roupas; a pioneira no uso da estampa de jornal (quem lembra do vestido Dior icônico da Carrie Bradshaw? John Galliano teve em quem se inspirar). Criou peças emblemáticas, como o vestido lagosta, o chapéu em formato de sapato e o vestido esqueleto, todas com um olhar super surrealista, idealizadas em parceria com Dali. E, para completar, desenvolveu aquela que viraria sua criação mais famosa: a cor “Shocking pink”, o icônico rosa-choque (sim, a mulher criou uma cor — não foi a Barbie, foi Elsa). 


É impossível falar sobre o mundo fashion sem mencionar essas criações, e é impossível falar sobre essas criações sem falar de Elsa Schiaparelli.


Looks Schiaparelli (Via: Reprodução/Internet)


A grife permaneceu bem-sucedida por vários anos e chegou a influenciar o trabalho de novos estilistas que  se tornariam grandes nomes do meio, como Yves Saint Laurent e Jean Paul Gaultier. Até que, em um momento surpreendente, Schia decidiu encerrar as atividades da marca, dando início a um hiato que começou em 1954 e durou décadas.


A maison permaneceu inativa até 2012, quando o empresário Diego Della Valle comprou a empresa. Esse retorno foi marcado por um desfile assinado por Christian Lacroix, pela nomeação de Marco Zanini como diretor criativo e até por um Met Gala que teve a grife como tema. Ainda assim,foi uma época morna para a casa — longe do centro das atenções que já havia ocupado em outra época.


A ERA ROSEBERRY E A SCHIAPARELLI NO MUNDO POP


Até que, em 2019, Daniel Roseberry foi nomeado diretor criativo da Schiaparelli e se tornou o responsável pela reascensão da marca. Roseberry reergueu a visão de Elsa sobre o “estranho”, o surrealismo, a ousadia e a fantasia que ela transformou em arte e ele conseguiu traduzir de volta às peças. 


Daniel traz constantemente referências a criações icônicas de Elsa em seu trabalho, adicionando sua própria leitura, conseguindo tirar uma marca escondida nas sombras e por sob o holofote, voltando a ser sempre um dos momentos mais aguardados e comentados das semanas de moda e a marca desejo de vários A-lists nos red carpets. 


Acompanhando a trajetória dos dois, é difícil não pensar como as mentes de Schiaparelli e Roseberry parecem ter sido feitas uma para outra. Não há dúvida que, se Schia estivesse aqui, reconheceria nele o melhor candidato para levar seu legado adiante.


Doja Cat, Bella Hadid e Lady Gaga usando looks Schiaparelli (Via: Getty Images/ Reuters/Folhapress)


E falando em celebridades, a era Roseberry tem sido encarregada de entregar vários momentos e looks icônicos. Foi ele o homem responsável por cravejar a Doja Cat de cristais vermelhos, criar o vestido com a imensa cabeça de leão usado por Kylie Jenner, desenhar o colar (ou escultura) de pulmão para Bella Hadid, vestir a Lady Gaga para sua apresentação na posse de Joe Biden em 2021, e Beyoncé, para receber o Grammy que lhe consagrou como maior vitoriosa da história da premiação. 


Ou seja: onde há história da moda e cultura pop sendo feita, a Schiaparelli está presente. Quer prova maior? Após a vitória do Bad Bunny no prêmio mais importante dos Grammys, o Álbum do Ano, pelo disco “Debí Tirar Más Fotos", percebemos que o coelhão tem algo em comum com as últimas duas vencedoras da mesma categoria, Beyoncé e Taylor Swift — e não são só os gramofones dourados. Os três estavam usando Schiaparelli. 


Taylor Swift, Beyoncé e Bad Bunny recebendo seus Grammys de Álbum do Ano, os três vestem Schiaparelli (Via: Reprodução/Internet)


Agora, esse trio fardado pela mesma etiqueta faz a gente pensar: será que a marca, além de fenômeno criativo e comercial, ainda é pé quente? 


Não sabemos quem levará o AOTY no ano que vem. Mas se há algo em que podemos apostar, é na marca que ele estará vestindo. 


Por Helena Hopper


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